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quarta-feira, 10 de março de 2010

Wilson Simonal: um dos maiores artistas do Brasil


Wilson Simonal foi um dos maiores artistas que o Brasil conheceu. Em um período de aproximadamente sete anos (a partir de 1965, e até o final de 1971, início de 1972), não só ele foi o cantor de maior sucesso - dividindo a popularidade com Roberto Carlos - como foi estrela de TV, showman e até artista de cinema.


Foi um entertainer único, que só tem paralelo no norte-americano Sammy Davis, Jr., que tinha talento semelhante. Seu grande momento foi "reger' 15 mil pessoas, no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, com a música Meu Limão, Meu Limoeiro, quando apenas era a atração de abertura para o show de Sérgio Mendes.



Na história da música popular brasileira, entretanto, Simonal ocupa um pé da página. Tudo por conta de uma estranha história que envolvia o cantor, seus assessores, um contador e agentes da Delegacia de Ordem Pública e Social (DOPS), a temível polícia política do regime militar.



Por conta de um suposto desfalque em suas contas, Simonal ameaçou o contador Raphael Viviani, e acabou pedindo para alguns agentes do DOPS "darem uma lição" no cidadão. Acusado, Simonal não negou a relação com os policiais, e acabou tomado como informante do regime.



Sofreu uma terrível perseguição de seus colegas e da imprensa mais ligada à esquerda, com a liderança do jornal carioca "O Pasquim". Era preterido em boates, desprezado pelas gravadoras e recusado nas emissoras de TV.



Teve a carreira ceifada no auge, e sequer teve a oportunidade de recomeçar. Passou os últimos anos da vida tentando mostrar que não era o dedo-duro que a mídia dissera.



Só conseguiu descansar quando o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um documento garantindo que Wilson Simonal de Castro "nunca colaborou para os órgãos de segurança durante o período de regime militar".




Hoje, a qualidade artística de Simonal é resgatada por livros e filmes e pela reedição de seus álbuns - trabalho de muitos, mas que tem a marca dos filhos do cantor, Wilson Simoninha e Max de Castro.



As gerações mais novas podem agora conhecer o estilo único de um artista que era, como apontou Ruy Castro em seu livro "Chega de Saudade", "apenas o máximo para seu tempo: grande voz, um senso de divisão igual ao dos melhores cantores americanos e uma capacidade de fazer gato e sapato do ritmo, sem se afastar da melodia ou sem apelar para os scats fáceis que eram a especialidade de Leny Andrade. (O compositor e jornalista Ronaldo) Bôscoli, que o atraíra para fora da influência de Carlos Imperial (produtor e compositor), passou a municiá-lo com material original, como Telefone (com Menescal). (...) Mas Simonal era perfeito também para coisas jazzísticas como Nanã, de Moacyr Santos, depois que Mário Telles lhe aplicou a letra definitiva; foi o lançador da Bossa Nova temporã de Tito Madi, em Balanço Zona Sul, e de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, em Garota Moderna; e tornou-se o melhor intérprete de Jorge Ben até País Tropical. Naquela fase ele era capaz de encaixar as bossas mais surpreendentes num tema e torná-lo irresistível".



Mas o mesmo Ruy Castro que elogia Simonal não demora algumas linhas para desancá-lo por dois motivos: a famosa história do DOPS e um preconceito musical. Leia: "Quando só as bossas passaram a ser importantes em seu estilo, Simonal ficou repetitivo e voltou à esfera de Carlos Imperial. Em 1966, já estava cantando "mamãe passou açúcar ni mim".



Em 1971, ele regeu - com um dedo só - 15 mil pessoas no Maracanãzinho ao som de uma xaroposa apropriação de Imperial, Meu Limão, Meu Limoeiro. Poucos meses depois, encalacrou-se numa obscura história que o envolvia como informante dos órgãos de segurança do governo Médici no meio artístico, e isto destruiu sua carreira. Para usar o jargão que ele criou nos seus dias de glória, Simonal deixou cair e se machucou".



Clique aqui e veja essa apresentação



Antes de citar os problemas extramusicais de Wilson Simonal, Ruy Castro reclama da ascendência de Carlos Imperial - o homem que "descobriu' Roberto Carlos. Simonal se aproximou dele no momento em que o produtor e compositor começava a criar sua persona de malandro que lhe deu fama no cinema e na televisão. E, atraído para este mundo de carros, mulheres e bebida, Simonal antecipou seu mestre e virou o grande malandro brasileiro.



E o estilo foi transformado em música - ou, melhor, o estilo de vida virou estilo musical, com o pejorativo apelido de "pilantragem". Por mais grosseiro que seja o nome, ele resume bem como é a união entre letra e música: de um lado, versos bem-humorados e ousados para a época, valorizando a riqueza e a vida mundana; de outro, notas bem resolvidas e brilhantemente arranjadas, ou por Cesar Camargo Mariano, ou por Erlon Chaves. Cesar, inclusive, é peça-chave nesta engrenagem. Ele liderava o Som Três, banda de apoio de Simonal, e foi o responsável pela consolidação do gênero, e pela consagração do cantor.



Quando você escuta uma canção do período, rapidamente reconhece a voz de Simonal e a "pilantragem" musical. Temas como Carango ("Garota minissaia / essa onda é bem / e todo mundo no carango / não sobrou ninguém / ninguém sabe o duro que dei / pra ter fonfon / trabalhei, trabalhei...") e Nem Vem Que Não Tem ("Nem vem que não tem / nem vem de garfo / que hoje é dia de sopa / esquenta o ferro / passa a minha roupa / eu nesse embalo vou botar pra quebrar...") são simbólicos, e poderiam ter sido o estopim para a criação de uma música pop tipicamente brasileira - unindo rock, samba e Bossa Nova em uma levada dançante.



Era tão envolvente que Simonal e Cesar descobriram que era possível transformar qualquer coisa em pilantragem. Na histórica série Alegria, Alegria, eles revisitaram temas antigos como Está Chegando a Hora, Mamãe Eu Quero e o já citado Meu Limão, Meu Limoeiro.



Vendeu horrores, mas despertou o ódio da crítica - que não aguentava nem a música nem Simonal (o que explica a rejeição de anos posteriores), por conta de seu jeito perdulário e alienado.



Para os "especialistas', o estilo era bobo, e tirava espaço da Bossa Nova. E até hoje os mesmos, quando perguntados, reclamam da opção do cantor, como ficou evidente no livro "Chega de Saudade". Quando a pilantragem estava estabilizada, liderando as paradas e dividindo o gosto da juventude com o Tropicalismo, apareceu o contador.



E a desastrada intervenção de Wilson Simonal na história do contador foi fatal para sua carreira. E fez com que a pilantragem fosse interrompida e proscrita da Música Popular Brasileira. Hoje, ela surge apenas como mero relicário da carreira de um grande artista - quando poderia ser a essência do nosso pop.






Clique aqui e ouça Wilson Simonal na rádio uol -


Fonte: www.parana-online.com.br

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Paraíba implantará centro cultural em homenagem a Sivuca

O subsecretário de Cultura da Paraíba, José David Campos Fernandes, esteve em Brasília na manhã desta quinta-feira, 21 de janeiro, para buscar junto ao Ministério da Cultura, recursos para implantação de um memorial em homenagem ao músico brasileiro, Sivuca. Ele apresentou o projeto inicial do espaço, e também pleiteou recursos para o desenvolvimento de diversas ações destinadas ao setor cultural do estado.

A proposta, orçada em R$ 6,5 milhões, ainda necessita de ajustes, como uma área para a reserva técnica do acervo e atividades ligadas à educação. “É importante, numa proposta de museu, que um projeto educativo esteja atrelado, pois, normalmente, quem leva a população mais carente a visitar um espaço como esse, são os filhos que estiveram lá com sua escola”, afirma Eneida Rocha, do Departamento de Difusão, Fomento e Economia dos Museus do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC).

Segundo José David, o memorial prevê, além do acervo físico, um conteúdo em meio digital, composto por músicas de Sivuca, dentre outras atrações interativas. Parte das memórias do artista estão guardadas com sua esposa, Glória Gadelha, que apoia a iniciativa. A forma de financiamento para a implantação do Memorial Sivuca será discutida pelo MinC após a indicação, por parte da Subsecretaria de Cultura da Paraíba, do local destinado à iniciativa.

Sivuca

Nascido na cidade de Itabaiana, na Paraíba, Severino de Oliveira - Sivuca - era conhecido nacional e internacionalmente como instrumentista, maestro, orquestrador, cantor, arranjador, compositor e produtor musical. Foi responsável por mostrar a elegância da sanfona nordestina ao cenário mundial da música.

Suas composições e trabalhos incluem, dentre outros ritmos, choros, frevos, forrós, baião, música clássica, blues, jazz, entre muitos outros. Contribuiu significativamente para o enriquecimento da música brasileira, ao revelar a universalidade da música nordestina e a nordestinidade da música universal. Sivuca morreu em 2006, deixando seu legado para a população de todo o país.

Fonte: www.vooz.com.br

Site: www.sivuca.com.br

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