terça-feira, 15 de setembro de 2009

A História do Teatro - Parte 3 / O Teatro Romano

Senta que a História é toda prosa....




A História do Teatro Parte 3



O TEATRO ROMANO


A Sociedade Romana:

A Vida Familiar Romana

A família romana estava sob a absoluta autoridade de seu chefe, o pater familias, cuja influência só cessava com a morte. Era ao mesmo tempo o juiz de todas as questões domésticas, o sacerdote do culto do lar e o único senhor do patrimônio familiar. A mulher casada possuía, contudo, uma situação bem melhor do que a da mulher grega; era consultada freqüentemente sobre diversos assuntos, podia sair em visitas e participar das diversões públicas. Casada geralmente muito cedo e nas classes superiores tinha um aspecto comedido e austero. A matrona romana era, por assim dizer, um símbolo dos antigos costumes (mores maiorum).

A Religião Romana

A religião romana era essencialmente politeísta: admitia divindades dos rios, dos bosques, do fogo, dos caminhos, etc. O antropomorfismo, a princípio pouco desenvolvido, depois do contato com os gregos tornou-se cada vez mais acentuado, pois, além da forma humana atribuída aos grandes deuses, manifestou-se ainda pelo culto dos antepassados, adorados como bons espíritos familiares (lares) através do culto doméstico. Durante as refeições era costume colocar-se também um prato com alimentos diante das estátuas dos lares, cujas imagens era geralmente guardadas em armários especiais.

Na sua estrutura a religião romana era contratual e formal. Contratual, porque as relações entre os deuses e os homens eram baseadas no interesse recíproco: o homem propiciava sacrifícios e recebia favores. Formal, porque admitia a necessidade do mais escrupuloso cuidado com os gestos e palavras que compunham as cerimônias, sob pena de ineficácia.

As relações cada vez mais freqüentes entre romanos e gregos ocasionaram uma completa identificação das divindades de Roma com as helênicas (gregas). Assim, Júpiter (deus de céu e o principal deus de Roma) confunde-se com Zeus; Juno (protetora da família) com Hera; Marte (deus da guerra) com Ares; Minerva (deusa das artes) com Atena; Diana (a Lua) com Artêmis; Liber ou Baco (deus do vinho) com Dionísio; Vênus (deusa do amor e da beleza) com Afrodite.

A Arte Romana

Com a decadência da arte clássica grega, a arte romana emerge a partir do século II a.C. De inspiração etrusca e helenística, aproxima-se mais da realidade que a arte desenvolvida pelos gregos. A arquitetura é o destaque. Os romanos celebram a grandeza do Império com a construção de monumentos e edifícios públicos. Paralelamente, desenvolve-se a pintura mural decorativa em cidades como Pompéia.

O TEATRO

“Panorama Geral”:

Durante o Império (27 a.C.-476), a cena é dominada por exibições acrobáticas e jogos circenses. Também se escrevem tragédias, mas sem a mesma repercussão que na Grécia. Um nome que se destaca é Sêneca (4 a.C.?-65), autor de “Fedra”. O gênero preferido pelos romanos é a comédia. Em linguagem coloquial e, às vezes, grosseira, ela retrata a euforia do Império em expansão. De enredo mais elaborado que o da comédia grega, torna comum o final feliz. Um dos principais autores é Terêncio (195 a.C.?-159 a.C.?), que faz textos voltados para a aristocracia e marcados pela ironia. Outro grande dramaturgo é Plauto (254 a.C.?-184 a.C.?). Os personagens estereotipados desses dois autores originam, mais tarde, os tipos da Commedia Dell''Arte italiana.

Os principais gêneros dramáticos:

ATELLANA (De Atella, cidade osca): simples farsa em um só ato, sempre apresentada com as mesmas personagens (personagens regionais fixos  deu origem, posteriormente, à Commedia Dell’Arte) e onde eram muito presentes as frases grosseiras e obscenas. Consistia em uma sátira que faziam às situações da região.

MIMOS: sem personagens fixas e com temas geralmente tomados da vida urbana, nos quais se ridicularizavam fatos verídicos, mas ou menos recentes. Como na atellana, no mimo era usada uma linguagem rude e freqüentemente imoral.

PANTOMIMA: representação teatral através de mímicas.

SATURA: mistura de canto, diálogo, pantomima e declamação de poesias.

VERSOS FESCENINOS: versos constituídos a partir do diálogo. Eram em sua maioria de caráter erótico e pornográfico e declamados a dois.

Ainda durante a República, a mímica e a pantomima tornaram-se as formas teatrais mais populares. Baseadas nas improvisações e agilidade física dos atores, ofereciam ampla oportunidade para a audaciosa apresentação de cenas imorais e pornográficas.

O desenvolvimento do teatro em Roma se deu por imitação do teatro grego. Durante as guerras de 264-241 a.C., os romanos tiveram contato com o teatro grego através das colônias espalhadas na Itália. Os romanos acrescentaram a Tragédia e a Comédia às suas lutas de gladiadores.
Havia então grandes festivais onde se reuniam lutadores, dançarinos e "atores".

O teatro romano era inteiramente calcado na tradição grega. Seu declínio, que causou um vácuo de quatro séculos na produção teatral, parece ter sido mais significativo para a história da cultura ocidental do que sua própria existência. Uma incipiente tradição teatral, de influência etrusca, já existia na península itálica.

No ano 240 a.C. foi apresentada pela primeira vez uma peça traduzida do grego durante os jogos romanos. O primeiro autor teatral romano a produzir uma obra de qualidade, que estreou em 235 a.C., foi Cneu Nevius. O teatro histórico foi a primeira criação original desse autor, que incorporou a suas peças, mordazes e francas, críticas à aristocracia romana, pelo que parece ter sido preso ou exilado. Talvez em vista dessas circunstâncias, seu sucessor, o grande poeta Quintus Enius, tenha adaptado seu talento às exigências do momento e se dedicou à tradução das tragédias gregas.

Peço desculpa a todos pelo atraso, meu pc cismou em me dar problemas esses dias ¬¬ e sábado que vem continuamos ok? :D.

Fonte: Curso Preparatório para o Exame de Capacitação Profissional – SATED-MG, História do Teatro – Marcelo Carvalho (RPMT: 03832)

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Festival de Teatro de Bonecos do Brasil - BH



Depois de passar por cinco capitais brasileiras - Brasília, Palmas, Goiânia, Campo Grande e Cuiabá -, a 6ª edição do SESI Bonecos leva para Belo Horizonte, nos próximos dias 12 e 13, toda a beleza e criatividade do maior festival de teatro de animação do país.


O projeto SESI Bonecos, um evento para todas as idades, trará a cidade mamulengos, fantoches e marionetes para apresentações gratuitas na Praça da Estação. Em três palcos, os mais destacados grupos brasileiros mostrarão trabalhos de várias vertentes, com um sortimento de atrações e diversas modalidades da arte da manipulação. As apresentações começam às 16h30.

O Festival é um projeto do SESI com patrocínio do Bradesco, Governo Federal- Lei de Incentivo à Cultura, Redevida. Para as apresentações é montada uma megaestrutura. São 10 carretas e dois ônibus que transportam 110 toneladas de equipamentos das mais de 20 companhias nacionais envolvidas no projeto itinerante que reúne mais de mil pessoas.

Desde a criação do projeto em 2004, mais de 1,5 milhão de pessoas já assistiram aos espetáculos em todas as regiões do país. Desde 2008, o festival dá o segundo giro pelo Brasil, já passou pelo Nordeste e agora Centro-Oeste mais BH.

A chegada do Sesi Bonecos em Belo Horizonte também gerará empregos diretos nas áreas de segurança, alimentação, limpeza, música e dança. Serão mais de 200 pessoas contratadas.

Companhias de bonecos de Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul se apresentarão na cidade nos dois dias do projeto. Companhias Gente Falante (RS), Mamulengo Riso do Povo (PE), entre outros grupos, mostrarão o que há de melhor no teatro de animação no mundo.

Além dos espetáculos, o público também poderá ver a exposição de 145 bonecos do grupo Giramundo (MG), as apresentações em miniaturas do Circo Minimal (RS), manipular bonecos de mais de três de altura compõem a cenografia interativa criada por Osvaldo Gabrieli. Ou ainda degustar guloseimas na praça de alimentação e adquirir artesanatos na barraca cheia de novidades.

Oficina- Além de levar diversão e democratizar a cultura de bonecos no Brasil, Sesi Bonecos do Brasil planta semente por onde passa. Entre os dias 08 e 11/09 será realizada a oficina- Processos de Criação para um Teatro de formas e figuras animadas, no Centro de Cultura Nansen Araújo. As aulas serão ministradas pela renomada professora da USP, Ana Maria Amaral. Serão 24 hs/aula divididas em quatro dias, das 9h às 12h e de 14h as 16h. As inscrições podem ser feitas no local. Na oficina, os participantes vão aprender desde a teoria até a confecção de peças.

Entre as atrações, destaque para dois importantes grupos conhecidos pela inovação e criatividade. O XPTO, de São Paulo, com 25 anos de existência, traz o espetáculo Coquetel Clown, com esquetes de cenas autônomas, nas quais são utilizados bonecos de grande porte. Já o mineiro Giramundo se faz presente com a exposição "Uma Volta ao Giramundo", que será montada na Praça da Estação, percorre a trajetória de 38 anos da companhia. Composta por acervo de 18 espetáculos e 151 bonecos, a mostra também comenta o processo de pesquisa, criação e a diversidade de técnicas e estilos existentes na arte do Teatro de Bonecos realizados pelo Giramundo. Desde 1971, quando foi criado, o grupo já montou 33 peças de teatro, construiu centenas de bonecos e ainda aderiu às técnicas de animação stopmotion, do cinema e dos programas para TV.

O mestre-de-cerimônias oficial do projeto SESI Bonecos é peça construída pela técnica "luva com varas". A mão do artista é introduzida por dentro, para manipular a cabeça e o corpo. Varetas de aço são usadas nas extremidades das mãos e movimentam os braços. Seu temperamento é divertido e eloqüente. Ele é uma espécie de garoto-propaganda do festival. "Além de ser um dos maiores festivais do gênero no mundo, senão o maior, o SESI bonecos traz uma rica mistura de popular e erudito, de tradicional e vanguardista", observa Lina Rosa, idealizadora e curadora do projeto.

Oficina

Tema: Processos de Criação para um Teatro de Formas e Figuras Animadas
Professora: Ana Maria Amaral
Carga horária: 06 horas/dia, total de 24 horas
Datas: 08 a 11/09
Hora: 9h às 12h e das 14 às 17h
Informações sobre inscrição: (31) 3241-7146 , com Rodrigo Morato Martins

Local: Centro de Cultura Nansen Araújo - Rua Álvares Maciel, 59 - Auditório 1º andar - Santa Efigênia - Belo Horizonte (MG)

Número de vagas: 40 / 80

Mais informações
Timbro Comunicação - (11) 3253-4542
Adelson Luna - (11) - 8391-1371

Serviços:

Espetáculo: SESI BONECOS
Texto: -/-
Direção: -/-
Data: Datas: 12 e 13 de setembro de 2009
Horário: 16h30 até 20h (entrada da última atração)
Onde: Praça da Estação BH - MG
Valor do Ingresso: Gratuito
Classificação indicativa: Livre
Duração: -/-
Fontes: www.maxpressnet.com.br / www.sesibonecos.com.br/2009/


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sábado, 5 de setembro de 2009

A História do Teatro - Parte 2 / A Comédia Grega

Senta que a História continua...



A História do Teatro Parte 2



Comédia Grega


A Comédia é uma das formas dramáticas básicas do teatro Ocidental. Tem acolhido em seu manto um grande número de diferentes subespécies. Embora seu raio de ação seja bastante amplo, pode-se dizer, de um modo geral, que as peças da comédia constituem-se como peças leves (ausência de emoções e sentimentos muito fortes) voltadas para assuntos não muito sérios. Seus personagens são deformados, exagerados o que provoca uma não identificação com a platéia. Ao contrário da tragédia, possui sempre um final feliz e propõe-se a enfatizar a crítica e a correção através da deformação, do exagero dos defeitos humanos e do ridículo. Sua finalidade principal é a de provocar o riso e o divertimento.

A Comédia nasceu cerca de 50 anos após a tragédia como uma espécie de crítica à sociedade, de denúncia à incompetência dos governantes da polis apresentando sempre em seu interior um fundo de verdade.

As mulheres continuaram não atuando nos palcos dos grandes teatros gregos.

Definição segundo Aristóteles: “A comédia é uma imitação de caracteres de tipo mais baixo, mas não na plena aceitação da palavra mal, pois o ridículo é apenas uma subdivisão do feio, e consiste num defeito ou feiúra que não dolorosos ou destrutivos (...) A comédia tende a representar os homens piores e a tragédia, melhores do que são.”

A origem da comédia é comum à origem da tragédia. Sua raiz também se encontra presente nas Festas Dionisíacas.
A palavra comédia vem do grego Komoidía. Komos = procissão jocosa + oidé = canto, ou seja, canto da alegria.

Havia dois tipos de procissão que tinham a designação Komoi. Um deles consistia em uma espécie de cordão carnavalesco na qual participavam os jovens. Estes saíam às ruas da acrópole fantasiados de animais batendo de porta em porta e pedindo prendas e donativos. Nestas Komoi era hábito também expor os cidadãos da polis à zombarias.

O outro tipo de Komoi era de natureza religiosa. Consistia em uma procissão celebrada em honra à fertilidade da natureza (esta era realizada no decorrer das festas dionisíacas).

Principais características da Comédia:

• Obra teatral em versos
• Caráter burlesco, leve e humorado
• Envolve ações ordinárias, corrigidas por meio do ridículo
• Possui importantes implicações filosóficas e morais
• Personagens ilustres e gente comum das ruas (o povo em geral)
• Versa sobre instrumentos opressores da sociedade, sobre a burocracia, valorização do dinheiro,...
• Inspira o riso

Comédia X Tragédia

Muitas são as diferenças que distinguem ambas formas dramáticas básicas do Teatro Ocidental. O estilo nobre e elevado da tragédia trata os aspectos fatalidade, purgação, compaixão, piedade, terror, entre outros. Na comédia tal estilo encontra-se reduzido e a ênfase maior recai sobre uma retratação de aspectos mais caricaturados ou fantásticos, onde o herói cômico torna-se um personagem bem menos especializado se comparado ao herói trágico.

HERÓI TRÁGICO (Rei; Pessoas Ilustres; Pessoas com poder; etc.)
X
HERÓI CÔMICO (Palhaço; Bobo; Inocente; Santo; Idiota; Fingidor; Trapalhão; etc.)

Enquanto a tragédia grega fundamentava-se na temática mitológica, a comédia não possuía nenhum padrão rígido de fundamentação mitológica. Sua pretensão era a de criar situações absurdas e, dentro destas, elaborar críticas essencialmente políticas aos governantes e aos costumes da época.

A Comédia aumenta o número de pessoas do Coro mas diminui consideravelmente sua importância. Ainda não existiam mulheres participando do elenco ou do coro. Sua estrutura é semelhante à da tragédia: PRÓLOGO, PÁRODO, AGÓN , CHORIKÁ (estásimo), ÊXODO. Existia ainda um momento denominado PARÁBASE que consistia em uma cena onde a peça se interrompia radicalmente e o coro, sem máscara, falava diretamente ao público sobre um assunto totalmente diferente daquele retratado na peça. Consistia em uma quebra total da história da peça.

IMPORTANTE: O surgimento da comédia só foi possível devido à democracia conquistada no século V a.C., quando a liberdade de expressão dada aos homens livres (não se inclui escravos, mulheres e estrangeiros) atingiu um nível nunca mais conseguido em nenhum outro momento da história política mundial. (talvez nem nos nossos dias atuais).

Apesar de a comédia ser apresentada nas Festas Dionisíacas lado a lado com o gênero trágico, vários são os fatores que nos levam à conclusão de que a comédia era tida como uma arte menor quando comparada à tragédia.

Uma das razões que induz-nos a tal afirmativa encontra-se na diferenciação entre o júri responsável por apreciar a tragédia e o grupo responsável por avaliar as comédias. As obras trágicas eram julgadas por cidadãos escolhidos pelo arconte (magistrado) entre as famílias aristocráticas e por pessoas que se destacavam na sociedade ateniense. Ser um integrante do corpo de júri de uma tragédia denotava uma espécie de distinção e superioridade. As obras cômicas, por sua vez, possuíam uma forma de escolha dos júris bem menos elaborada. Apenas sorteavam-se cinco pessoas quaisquer da platéia com a finalidade de se compor o corpo de jurados.
A comédia grega passou por três fases. São elas:

• Comédia Antiga (486 a.C. – 404 a.C.):
Esta comédia é a mais antiga existente no Teatro Grego. Foi introduzida nos Festivais Dionisíacos 50 anos após a tragédia. Sua principal finalidade era a de criticar a política. Nesse sentido pode-se afirmar que tratava dos problemas da polis. Foi muito combatida pelos governantes. Sua existência deveu-se à democracia ateniense mas, posteriormente, a queda de Atenas e de sua democracia pôs fim à Comédia Antiga. Sua característica baseava-se em uma mistura de fantasia, crítica, obscenidade, paródia e insulto social, pessoal e, principalmente, político. Seu principal representante foi Aristófanes, que escreveu cerca de onze peças.

• Comédia Mediana ou Intermediária (404 a.C. – 336 a.C.):
Constitui-se de uma forma indefinida. Trata-se, na verdade, de um enfraquecimento da sátira política pertencente à Comédia Antiga. A comédia intermediária representa uma transição. Podados e cansados da crítica política, os comediógrafos começam a voltar suas atenções para outros assuntos. Sua temática passou a girar um pouco em torno de paródias míticas, sátiras a sistemas filosóficos, instabilidade de fortunas, assuntos gastronômicos, entre outros. Desse período pouco nos chegou. Somente duas peças de Aristófanes que, ao término de sua vida, pertenceu ao estilo da Comédia Mediana. Tal fase possui curta duração. Representou muito mais uma procura por uma estética que fosse condizente com os novos tempos.

• Comédia Nova (336 a.C. – 150 a.C.):
Surgiu com a queda da democracia ateniense. Sua temática girava em torno de diversos comportamentos como por exemplo problemas sentimentais de jovens casais enamorados, casamentos, intrigas, brigas de vizinhos e de tipos e costumes que cercavam essas situações básicas. Pode ser considerada como a precursora da Comédia de Costumes (em que se retratava a vida cotidiana). Os seus personagens oscilavam entre pessoas do povo (A grande maioria. Eram escravos, militares, cozinheiras, ...) e nobres. Características: Vida privada, intimidade dos cidadãos, amor, prazeres da vida, intrigas sentimentais, entre outros. Nesse momento não se encontra a presença do coro. Ele foi extinto. Seu maior representante foi Menandro.

QUEM FOI ARISTÓFANES?
Tudo indica que tenha sido o maior comediógrafo de seu tempo. Aristófanes possuía grande liberdade de expressão e, devido a isso, não poupou críticas a pessoas ilustres, governantes, instituições governamentais e nem mesmo aos Deuses. Preocupou-se, acima de tudo em defender a paz (evitar conflitos) e advertir a população, sobretudo a rural, dos abusos urbanos. Criticou Sófocles e Eurípedes. De suas 43 peças sobreviveram apenas 11:

“Os Arcaneus”; “Os Cavaleiros”; “As Nuvens”; “As Vespas”; “A Paz”; “Os Pássaros”; “Lisístrata”; “As Tesmoforias”; “As Rãs”; “Assembléia de Mulheres” (pertencente à Comédia Mediana) e “Pluto” (também pertencente ao estilo da Comédia Mediana).

QUEM FOI MENANDRO?
Foi o principal autor da Comédia Nova grega. As condições políticas de Atenas em sua época já não permitiam sátiras a homens ou instituições. Dessa forma sua temática estava voltada para viagens, heranças, nascimentos e amores clandestinos. Seus personagens eram baseados em pessoas comuns das ruas: escravos, cozinheiros, médicos, filósofos, advinhos, militares. De suas 100 peças apenas uma chegou completa até os nossos dias: “O Díscolo” ou “O Misantropo”.

* TEXTO 1: Trecho da Peça "Prometeu Acorrentado" de Ésquilo:

(...)
" Prometeu
Eu afirmo que Júpiter, tão orgulhoso, se humilhará um dia, visto o casamento ao qual se apresta, casamento que o lançará para fora do poder e do trono, que o fará desaparecer do mundo. Então ele verá se cumprir inteiramente a maldição que seu pai, Saturno, atirou contra o filho no dia em que foi derrubado do seu antigo trono. E o meio de evitar esses males, nenhum dos deuses saberia lhe indicar claramente, nenhum, exceto eu. Eu o conheço e sei como pô-lo em uso. Dito isso, deixai que ele fique em seu trono sem temor, confiante no retumbar de que enche os ares brandindo nas mãos os raios flamejantes. Nada disso será suficiente para impedi-lo de cair vergonhosamente, com um tombo insuportável, tão forte será o lutador que Júpiter está preparando para si mesmo, gigante indomável que vai encontrar um fogo mais poderoso que o relâmpago, e um ribombar formidável, atroador, que ultrapassará o trovão e que fará voar em estilhaços o flagelo marítimo que sacode a terra, o tridente, arma de Netuno. Chocando-se com essa desgraça, ele aprenderá a diferença que existe entre comandar e servir.

Coro
Penso que são teus próprios desejos que transformas em predições contra Júpiter.

Prometeu
Eu digo o que vai acontecer e também o que eu desejo.

Coro
Então podemos esperar ver Júpiter obedecer a um mestre?

Prometeu
Sim, e a suportar fardos ainda mais pesados que esse.

Coro
Como tens ousadia bastante para falar tais coisas?

Prometeu
Que devo temer se meu destino é não morrer jamais?"
(...)

* TEXTO 2: Falando um pouco da Peça "Édipo Rei" de Sófocles

O oráculo diz a Laio, rei de Tebas, que ele será assassinado pelo próprio filho. Para evitar o terrível acontecimento, Laio amarra o bebê, fere-o e deixa-o para morrer nas montanhas, devorado pelos lobos. Mas a criança é salva por um pastor e adotada pelo rei de Corinto. Depois de crescido, Édipo ouve do oráculo que matará seu próprio pai e se casará com a mãe. Fugindo do destino e acreditando ser filho do rei de Corinto, Édipo deixa a cidade e vai para Tebas. No caminho, encontra Laio e acaba matando-o numa briga. Seguindo sua viagem, Édipo desvenda o enigma da Esfinge, um monstro que atormentava a vida de Tebas. Como recompensa, é colocado no trono da cidade e casa-se com a rainha Jocasta, viúva de Laio. Cerca de dez anos depois, quando uma praga começa a devastar a região, o oráculo (sempre ele) preconiza que as coisas melhorarão quando o assassino de Laio for expulso da cidade. Édipo, rei zeloso, toma em suas próprias mãos a missão de descobrir o criminoso.

Édipo Rei pode ser considerada a primeira história de detetives, já que seu protagonista tem um problema policial a ser resolvido através de uma investigação. E o desfecho é de fazer inveja a Conan Doyle ou a Agatha Christie: o detetive, sem saber, é o próprio assassino!

Quando descobre a verdade, que assassinou o pai e casou-se com a mãe, Édipo horroriza-se e fura os próprios olhos. A interpretação desta cegueira voluntária tem sido discutida há séculos. Se Édipo era feliz quando "não via" a realidade, imaginando-se um afortunado rei, bem casado, pai de quatro filhos, quando na verdade era um parricida incestuoso, seria a cegueira uma tentativa inconsciente de voltar a um estado de "não-ver" e, portanto, de felicidade?

A tragédia grega põe em cena, sob a forma de "drama" (ação / aquilo que se faz) acontecimentos tirados da lenda heróica, a mesma que os poetas épicos cantaram vários séculos antes. Para nós, estes acontecimentos têm um caráter de lenda mas, para os gregos eram história. E esta história estava sempre em relação direta ou indireta com a cidade onde se representava a tragédia. Portanto, era um espetáculo que interessava à coletividade dos cidadãos. O teatro grego era muito representativo do seu tempo, porque ao trabalhar com as histórias antigas, os mitos e as lendas, já apresentava as influências da filosofia e da política da época. O pensamento que antes era mítico, porque tentava explicar o mundo através das aventuras dos deuses agora é racional. Os homens já não conseguem mais acreditar nas explicações religiosas, mágicas e fantásticas para os fenômenos da vida. Eles precisam saber qual é a verdade dos fatos. E é isso que Édipo quer saber. Édipo é um personagem que quer saber a verdade. Apesar do mito de Édipo ter sido inventado muitos séculos antes, esta história está diretamente relacionada com o século V a.C. quando a partir da influência dos sofistas, de Sócrates, e do humanismo, o pensamento racional, e consequentemente a busca da verdade passam a ser o centro da questão.

* TEXTO 3: Algumas explicitações da Peça "Medéia" de Eurípedes e mais um pouco sobre este Autor:

Medéia é uma das personagens mais interessantes da mitologia grega clássica, e já inspirou muitas peças de teatro, de Eurípedes (Medéia) a Bellini (Norma), entre muitos outros.

Medéia, filha do rei da Cólquida, surge inicialmente como heroína movida pelo amor, ajudando Jasão, líder dos argonautas, a se apoderar do famoso velo de ouro. Mas mesmo como aliada do herói, seus métodos já deveriam ter sido suficientes para levantar algumas suspeitas. Para retardar os seus perseguidores, chefiados pelo pai, Medéia vai cortando pedaços do próprio irmão e atirando ao mar. Ao chegarem em Iolcos, Medéia salva Jasão mais uma vez, agora matando o tio do herói, que tentava roubar o velo de ouro. O casal apaixonado tem que fugir, então, para Corinto.

Jasão, subestimando a fúria de Medéia, resolve abandoná-la para casar com Glauce, filha do rei de Corinto. A vingança terrível começa pela rival. Medéia envia-lhe um vestido envenenado, que acaba causando a morte dela e do pai. Não satisfeita, assassina também os próprios filhos, como forma de punir Jasão. E este, é claro, tampouco escapa: por obra de Medéia, morre esmagado pelo navio Argos, seu companheiro em tantas aventuras. Depois de tudo isto, ela tem que fugir mais uma vez, e ruma para Atenas, onde fica sob a proteção do rei Egeu. Se você pensa que ela sossegou, está enganado, já que mais tarde tentou envenenar seu benfeitor e teve que fugir novamente, voltando à sua terra natal, Cólquida.

Medéia, representada pela primeira vez em 431 a.C., é uma das mais importantes peças de Eurípedes (Salamina, 480 – Macedônia, 406 a.C.), e a sua versão da história é ainda hoje a mais interessante versão do mito. Ao contrário de outros gregos clássicos, Eurípedes dedicou grande parte de sua obra às personagens femininas: Fedra, Alceste, Helena, e várias outras, são figuras fundamentais de suas peças. E Medéia destaca-se entre todas por seu papel independente, sua recusa em ser somente um joguete dos homens, sua insistência em desenhar o próprio destino. Mesmo assim, trata-se de um exagero tomá-la como ícone do feminismo. Não nos esqueçamos que a Grécia de Eurípedes não somente reservava de forma geral um papel secundário às mulheres, mas também possuía um teatro onde só aos homens era permitido subir ao palco (os papéis femininos eram também representados por homens). Não é por acaso que Medéia, a mais voluntariosa das mulheres do teatro grego clássico, é uma arquivilã.

Eurípedes introduziu várias inovações na tragédia grega clássica (personagens do povo em papéis importantes, princípios de análise psicológica, abordagem de questões filosóficas), mas em seu tempo foi um incompreendido. Talvez por sua escolha de temas, ou mais provavelmente pelo tratamento dado a eles (como disse Sófocles, Eurípedes mostrava as pessoas como elas eram, não como deveriam ser), suas tragédias raras vezes tiveram a recepção merecida. Aristófanes e outros cômicos tinham nele sua vítima preferida, e não eram poucas as histórias satirizando Eurípedes. Foi traído pela esposa. Seus amigos foram exilados. Finalmente, foi a vez do próprio Eurípedes deixar Atenas. Refugiado na Macedônia, não viveu muito mais, morrendo num acidente em que foi atacado pelos cães do rei.

Sábado que vem continuamos ok? :D.

Fonte: Curso Preparatório para o Exame de Capacitação Profissional – SATED-MG, História do Teatro – Marcelo Carvalho (RPMT: 03832)

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Guia Vá ao Teatro - BH

Guia vá ao teatro para o mês de Setembro 2009


O guia que organiza muito do que rola no teatro em BH, feito pelo SINPARC, Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas/MG, pronto para ser impresso.


Fonte: Site SINPARC

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