sábado, 3 de outubro de 2009

A História do Teatro - Parte 4 e 5 / A Tragédia Romana e a Comédia Romana

Senta que a História tá atrasada....




A História do Teatro Parte 4 e 5



A Tragédia Romana:

A Tragédia Romana em sua maioria refletiu os ideais propostos pela Tragédia Grega: mesma estrutura, mesma organização e, inclusive, mesmo assunto. Somente Lucius Annaeus Sêneca fugiu a essa regra.

Durante o período imperial, surgiram as tragédias para pequenos recintos privados ou para declamação sem encenação. São desse tipo as obras de Sêneca, filósofo estóico e principal conselheiro de Nero, as quais exerceram enorme influência durante o Renascimento, sobretudo na Inglaterra. Influenciou, entre outros, Shakespeare.

Primeiros grandes poetas trágicos romanos:

* Lívio Andronico;
* Névio;
* Pacúvio;
* Ênio;
* Ácio.

Sêneca:

Inovou por ter deixado com que a profunda reflexão e os horrores físicos substituíssem a poesia e a tragicidade gregas. Justamente devido a isso não produziu tragédias totalmente iguais àquelas realizadas pelos gregos.

Construiu um tipo de tragédia que se consolidou também como cruel, isso devido também ao seu espírito romano de guerreiro e ímpeto. Não possuía o escrúpulo que os gregos tinham. Mostrava a violência real ao público como vômito, morte, entre outros.

A grande influência que herdou dos gregos foi a linguagem erudita e metafórica.

Importe ressaltar que suas peças possuíam um alto teor de reflexão filosófica. Devido a isso sua atuação dramática influenciou sobremaneira Shakespeare (Teatro Renascentista), no aspecto filosófico, e Antonin Artaud (Teatro da Crueldade - Teatro do séc. XX), no aspecto da crueldade.

Suas Peças:

• “Medéia” (imitou a Tragédia Grega);
• “Tiestes”;
• “Édipo”;
• “Agamênon”;
• “Hércules Furioso”; entre outras

A Comédia Romana:


A verdadeira comédia latina surgiu apenas no final do século II a.C. As representações teatrais eram parte do entretenimento gratuito oferecido nos festivais públicos. Desde o início, no entanto, o teatro romano dependeu do gosto popular, de uma forma que nunca havia ocorrido na Grécia. Caso uma peça não agradasse ao público, o promotor do festival era obrigado a devolver parte do subsídio que recebera. Por isso, mesmo durante a república, havia certa ansiedade em oferecer à platéia algo que a agradasse, o que logo se comprovou ser o sensacional, o espetacular e o grosseiro. Os imperadores romanos fizeram um uso cínico desse fato, provendo "pão e circo", segundo a famosa frase do satirista Juvenal, para que o povo se distraísse de suas miseráveis condições de vida. O grandioso Coliseu e outros anfiteatros espalhados por todo o império atestam o poder e a grandeza de Roma, mas não sua energia artística. Não há razões para crer que tais construções se destinavam a outra coisa que não espetáculos banais e degradantes. As arenas foram então totalmente ocupadas por gladiadores em combates mortais, feras espicaçadas até se fazerem em pedaços, cristãos cobertos de piche e usados como tochas humanas. Não é de se admirar que tanto os escritores como o público de outra índole passassem a considerar o teatro como manifestação indigna e aviltante.

O primeiro autor de comédias foi Lívio Andronico, de Tarento, seguido mais tarde por Plauto e Terêncio.

Nas peças de ambos, Plauto e Terêncio, os problemas são sempre os mesmos: domésticos, eróticos e dinheiro. Criaram os “tipos cômicos” (o fanfarrão; o avarento; o criado astuto; o filho de família devasso; o oportunista - parasita; etc.)

A Comédia Romana dividiu-se em dois segmentos: Comédia Paliata e Comédia Togata.

Comédia Paliata: imitação da Comédia Nova. Importante considerar que ambos os seus representantes imitaram ao pé da letra a Comédia Nova Grega de Menandro.

Plauto:

Dramaturgo romano (254 a.C.?-184 a.C.?). Considerado o maior comediógrafo da Roma antiga. Nasce em Sarsina, Úmbria, e vai para Roma ainda jovem. Por muito tempo é conhecido apenas como Plautus, que quer dizer "pés chatos", porém mais tarde se autodenomina Maccus ("palhaço") Titus. É soldado, ator, comerciante fracassado e moleiro (dono de moinho) itinerante antes de se tornar dramaturgo, aos 45 anos. Estima-se que tenha escrito 130 peças, das quais apenas 21 sobrevivem. Seus enredos, personagens e ambientação são copiados de autores da nova comédia grega, como Menander (Menandro), Filemon e Diphilus. Adiciona numerosas alusões romanas e introduz elementos de canto e dança. Com métrica elaborada e linguagem coloquial, sua obra reproduz com fidelidade a vida dos romanos da época. Os enredos farsescos são em geral baseados em casos de amor ou confusões decorrentes de trocas de identidade, mas apresentam grande originalidade no tratamento dos temas. Suas comédias inspiram dramaturgos pós-renascentistas. Molière toma “O Vaso de Ouro” como modelo para “O Avarento” e Shakespeare baseia-se em “Os Gêmeos” e “Anfitriões” para escrever “A Comédia de Erros”. Morre provavelmente em Roma.

Dele chegaram até nós 20 comédias. Entre elas: “O Vaso de Ouro”; “Os Gêmeos”; “Anfitriões”; “Aulularia”.

Terêncio:

É muito menos cômico do que Plauto. Pode traduzir-se como um moralista sério que prefere a representação das classes baixas da sociedade e suas diversões grosseiras.

Comédia Togata: tem por assunto algum acontecimento romano. Não nos chegou nenhuma Peça Togata completa.

No tempo da perseguição aos cristãos, sob Nero e Domitianus, a fé cristã era ridicularizada. Depois do triunfo do cristianismo, as apresentações teatrais foram proibidas.

Com o surgimento do cristianismo "que associava a atividade teatral aos fitos pagãos, além de condenar sua licenciosidade", o teatro romano começou a decair. Em 586 a.C., com a invasão dos lombardos, desaparecem os últimos sinais.

* TEXTO 1: Trecho da Peça “Aulularia” de Plauto

(...)
" Euclião
Quem é que está falando aí?

Licônides
Sou eu, um infeliz.

Euclião
Infeliz sou eu, eu que estou miseravelmente perdido, esmagado por tantos males e desgostos.

Licônides
Não te preocupes!

Euclião
Por misericórdia, como poderia não preocupar-me?

Licônides
O mal que tanto te faz sofrer fui eu que cometi: eu o confesso!

Euclião
Que é que estás dizendo?

Licônides
A verdade.

Euclião
Que mal eu te fiz, moço, para fazeres isto comigo, para me pores a perder, a mim e aos meus?

Licônides
Foi um Deus que me impeliu, ele que me atraiu para ela.

Euclião
Mas como?

Licônides
Confesso que errei; eu sei que sou culpado. Por isso, eu vim pedir-te perdão, que queiras conceder-me o teu perdão.

Euclião
Como ousaste fazer isto, apoderar-te do que não é teu?

Licônides
Que querer que eu faça? O que está feito está feito. Impossível voltar atrás. Foi a vontade dos deuses, eu acho; se eles não o quisessem eu sei que isso não teria acontecido.

Euclião
Mas os deuses quiseram também, creio, que eu te enforque em minha casa.

Licônides
Não digas isso.

Euclião
Por que, sem minha ordem, tocaste nela, que é minha?

Licônides
Por causa do vício do vinho e do amor é que eu fiz isso.

Euclião
Homem descarado, ousares vir a mim dizer isso, sem vergonha! Se isso é direito, se te podes excusar disso, vamos roubar publicamente, em pleno dia, as jóias das senhoras. E, depois, se nos apanharem, nós nos desculparemos dizendo que fizemos isso embriagados, por causa do amor. Coisa muito vil é o vinho e o amor, se ao ébrio e ao amante tudo é permitido fazer impunemente."
(...)

------------------------------------------------------------------------------------
Peço desculpa a todos pelo atraso (de novo aff), tenho tido alguns problemas mas esse fim de semana já vou deixar tudo mais organizado pra que sábado que vem continuemos e sem atrasar ok? =D

Fonte: Curso Preparatório para o Exame de Capacitação Profissional – SATED-MG, História do Teatro – Marcelo Carvalho (RPMT: 03832)

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